Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Memories

Hoje, levo as memórias a dormir.

 

Levo os comentários de filosofia, os testes de vocação, as fichas de matemática e os meus caracóis.

 

Levo os meus feitos, o meu orgulho, o meu suor e trabalho para perto da almofada... Com a certeza de que depois de tantos anos ainda há memórias que me marcarão outros tantos, ainda há frases que me vão suar ao ouvido de forma contínua como uma meta de vida, olhos que me guiarão até me perderem de vista, até me perderem o tacto imaginário.

 

Levo o que fui, e o que não sou. Levo o que não perdi, mas que já não tenho... O dom das palavras, o dom de sentir com os olhos, com a mão, com o toque...  O dom de sentir sem questionar, de sentir sem pensar.

 

Hoje alguém me disse que estava a torcer por mim, que estava a torcer por nós... e eu senti-me pequenina.

 

Pessoa pequenina.

Idade pequenina.

Pensamento pequenino.

Sentimento pequenino.

 

És alguém tão grande.


Mettalica_-_Nothing_Else_Matters.mp3 -

publicado por 7sentidos às 02:10

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3 comentários:
De Lipa Pinhal a 23 de Junho de 2009 às 09:44
És grande...Maior do que pensas ! ;)
De entremares a 29 de Junho de 2009 às 10:34
Com o maior dos cuidados, avançou, sorrateiro.
Um passo, depois outro, depois ainda outro.
Estranhamente, ela não fugiu, estremecendo simplesmente as asas quando sentiu o “clique” da fotografia.
O fotógrafo estava encantado. Uma “Papilio machaon”, bem ali à sua frente, a pouco mais de dois metros de distância, imóvel, com um enquadramento perfeito, um fundo de vegetação escura... e sem qualquer réstea de vento... a fotografia perfeita.
Avançou um pouco mais, disparando sucessivamente.
Fotografar borboletas – diriam uns – poderia ser uma ocupação excêntrica, um clichê banal da fotografia de natureza ( fotos bonitas, coloridas, vistosas... ) – mas nada disso o afectava. As borboletas, como aliás todos os insectos, eram seres extremamente fotogénicos, elegantes, de uma pose natural que dispensava treinos e ensaios – já haviam nascido modelos.
Aquela borboleta andorinha, como era habitualmente conhecida, com os seus dois chifres amarelados, parecia no entanto estranhamente à vontade, sem se importar com os estalidos incessantes da máquina fotográfica – quando muito, abanava suavemente as asas acastanhadas, sem sequer levantar voo.
Aproximou-se um pouco mais – não estaria a mais de dois palmos de distância.
A borboleta fechou as asas e quando as reabriu, ocupou por completo o visor da objectiva – imóvel, serena, brilhante.
Apeteceu-lhe – de a ver ali tão perto – tocar-lhe, sentir-lhe a suavidade das asas coloridas, a leveza do corpo elegante.
Resistiu à tentação.
Aprendera há muito a não invadir aquele mundo mágico que ficava do lado de lá da sua objectiva – o encanto existia para ser visto e apreciado, não para ser tocado ou possuido. Quando muito, a fotografia tornaria eterno aquele momento fugaz de contacto íntimo, em que o fotógrafo e o seu modelo se fundiam, ela a desvendar-se perante os seus olhos, ele a saciar-se com a sua beleza.
E foi então que, num daqueles raros momentos que as fotografias nunca conseguem captar, um pouco de magia aconteceu.
A borboleta soltou o ramo onde pousara e com um suave bater das asas, veio pousar sobre a máquina fotográfica.
As antenas douradas agitaram-se, as asas estremeceram e ali permaneceu, nuns poucos segundos com sabor a eternidade, ambos a contemplar-se, quem sabe – olhos nos olhos – tocando o mundo imaginário de um qualquer conto de fadas.
Finalmente, levantou voo e afastou-se graciosamente, rumo a outro punhado de flores.
O fotógrafo permaneceu, porém, ainda a apontar a objectiva para o local vazio onde já não existia nenhuma borboleta.
A fotografia que recordaria para sempre – aquela borboleta ali pousada, a poucos centímetros do seu rosto – não ficaria registada em nenhum outro local, senão nas suas próprias memórias.
Guardou cuidadosamente a máquina fotográfica no respectivo estojo.
A borboleta dourada esvoaçava ainda ali perto, em redor de outro canteiro de flores amarelas.
Olhou para ela... e sentiu, sem perceber como, que ela lhe estava a retribuir o olhar...


( Ser pequeno ou grande não será só uma questão de perspectiva? )
De 7sentidos a 29 de Junho de 2009 às 17:37
Desde já agradeço a sua visita.

Obrigada também por toda uma descrição pormonorizada de algo da qual eu tanto gosto: fotografia e natureza.

Ser pequenino ou grande, sempre foi uma questão de perspectiva, mas para se ter "a" perspectiva, tem que se ter uma grandiosidade de pensamento, coração e alma.

Somos pequeninos quando não temos "a" perspectiva.

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